domingo, 10 de abril de 2011

Acompanhamento Psicoterapêutico - Perguntas Frequentes

O Que Acontece na Prática no Processo Terapêutico?
Espera-se que o paciente verbalize os seus sentimentos e pensamentos, sem receio de que não façam sentido ou de que sejam criticados. Não importa tratar os acontecimentos que têm lugar no mundo externo, mas sim a sua repercussão no mundo interno do paciente.
Deste modo, é natural que haja alguma dificuldade inicial em levá-la a cabo. Mas só assim poderá aceder aos conflitos intrapsíquicos que estão na base dos sintomas apresentados.

O/A psicólogo/a é um/a Médico/a Que "Mexe Com a Cabeça das Pessoas?
O/A Psicólogo/a não é um/a médico/a, nem mexe com a cabeça das pessoas! 
O/A Psicólogo/a pensa com as pessoas! É um Profissional de Saúde que dispõem de métodos e técnicas científicas que possibilitam a Avaliação Psicológica e o Acompanhamento Psicoterapêutico. A situação terapêutica requer uma relação empática onde o/a Psicólogo/a e o/a paciente unem esforços para delinearem um plano e objectivos terapêuticos. A mudança na pessoa não acontece porque o/a Psicólogo/a “mexe com a cabeça” mas sim porque o processo terapêutico possibilita essa mudança.

Quando e Porquê devo Consultar um/a Psicólogo/a?
Pode procurar um/a Psicólogo/a quando se depara perante com dificuldades e problemas que não está a conseguir resolver ou ultrapassar. Também poderá procurá-lo simplesmente para fazer uma psicoterapia pessoal com o objectivo de auto-conhecimento e valorização pessoal. O/A Psicólogo/a é uma profissional com formação académica específica para ajudá-lo nesta viagem de descoberta, resolução e encontro.

Será Que Não Poderia Resolver os Meus Problemas Sozinho/a?
Existe a ideia generalizada de que conseguimos ultrapassar os problemas sozinho/a mas a verdade é que grande parte deles também não se originou sozinhos, nem de um dia para o outro. Por outro lado, quando vivenciamos um determinado problema, podemos estar de tal modo envolvidos emocionalmente que não conseguimos observar a situação de outra perspectiva, encontrar outros caminhos, ou perspectivar outras soluções. O/A Psicólogo/a oferece um auxílio especializado que decorre dos seus conhecimentos, instrumentos e técnicas e por isso é uma ajuda diferente daquela que é obtida através de amigos e familiares. O/A Psicólogo/a tem o papel de pensar em conjunto com o paciente, mostrar-lhe aquilo que ainda não se apercebeu, devolver-lhe uma compreensão do que se está a passar e encontrar formas de ultrapassar essa situação de desconforto.

O Que Vão Pensar os Meus Familiares e Amigos se eu Procurar Ajuda Psicoterapêutica?  
Cada vez mais se torna recorrente as pessoas procurarem um/a Psicólogo/a em determinado momento das suas vidas. Mais do que aquilo que as outras pessoas vão pensar da sua decisão, o importante é que está a fazer algo por si, que reconheceu que precisa de ajuda e isso já um passo muito importante.

Vou Pagar Para Ouvir Conselhos?
Não!
Um Psicólogo/a não cobra nem dá conselhos, pois não é um conselheiro!
Um/a Psicólogo/a é um técnico de Saúde Mental que estabelecendo associações acerca do que pensa, sente e vivência, de forma a compreender a dinâmica do problema. Questiona-o muitas vezes. Clarifica-o nos momentos de dúvida e incerteza. Confronta-o quando é necessário. Reformula quando o seu pensamento parece estar preso e contaminado por ideias irrealistas, negativas ou redutoras. Tranquiliza-o nas horas de dor e de sofrimento. Estimula-o, caminhando consigo.
O/A Psicólogo/a amplifica o seu campo de visão, leva-o a escutar-se, mostra-lhe os vários caminhos, ajuda-o nas tomadas de decisão mas não decide por si. Acompanha-o e por vezes, vai mais à frente para preparar o terreno mas noutras alturas recua e incentiva-o a enfrentar os desafios, a conquistar os seus objectivos, a concretizar os seus sonhos, mas acima de tudo está ao seu lado para ajudá-lo a ser mais feliz.

Psicólogos, Psiquiatras, Psicanalistas, Psicoterapeutas  e Neurologistas são a mesma coisa?
Não!
  • Os/As Psiquiatras são médicos/as licenciados/as em Medicina com especialização em Psiquiatria. É um profissional de Saúde Mental qualificado para distinguir entre causas físicas e psicológicas de doenças físicas e mentais e para reconhecer o sofrimento emocional nas suas diversas manifestações (somáticas e/ ou emocionais).
    Sendo médico/a, pode medicar e propor psicoterapia. 
    Estes profissionais de saúde são responsáveis pelo tratamento farmacológico dos sintomas e, apesar de considerarem a complexidade e dinâmica da pessoa, focalizam-se principalmente sobre os aspectos fisiológicos das manifestações psíquicas indesejáveis (sintomas).
  • Os/As Psicólogos/as não são médicos/as, são profissionais de Saúde Mental, licenciados em Psicologia, e como tal, não podem medicar. A sua função exclusiva é a de Avaliação Psicológica, pois essa é a  sua especificidade e o que o distingue de qualquer outro profissional de saúde mental. Outra das suas funções é o acompanhamento psicoterapêutico. O/A Psicólogo/a tem contacto com várias abordagens psicológicas e pode optar por um desses campos teóricos, ou integrar saberes de diversas correntes.
  • Os/As Psicoterapeutas são Psicólogos/as ou Médicos/as que tiraram uma formação especializada em Psicoterapia numa determinada Sociedade após a conclusão da licenciatura em Psicologia Clínica. Existem diversos ramos de Psicoterapias (Psicanalítica, Cognitiva, Comportamental, Sistémica, Integrativa, Breve, etc.) e o tempo de formação teórica e prática é variável. Um Psicoterapeuta tem um quadro teórico, formação e um setting específicos, objectivos concretos e funções sistematizadas. Os/As Psicanalistas podem ser Psicólogos/as ou Médicos/as com formação em Psicanálise na Sociedade de Psicanálise. Possuem essencialmente a função analítica e o objectivo é a reestruturação/organização da personalidade através do aclaramento progressivo da dinâmica psicológica inconsciente.
  • Os/As Neurologistas assim como os/as Psiquiatras são médicos/as licenciados em Medicina com especialização em Neurologia. O/A Neurologista fez uma especialização em Neurologia enquanto o/a Psiquiatra a fez em Psiquiatria e Saúde Mental.
    São do âmbito da neurologia as doenças orgânicas, com substrato físico comprovado que envolvem o sistema nervoso central e periférico, como por exemplo, Neoplasias, doenças degenerativas, epilepsia, paralisias, etc.
    As doenças com alterações funcionais (isto é, sem alteração comprovada de substrato anatómico, são do âmbito da psiquiatria).
    Assim depressões, ansiedade, fobias, obsessões, distúrbios de adaptação, distúrbios do humor, da personalidade, distúrbios psicóticos (ex. esquizofrenia) são do âmbito da psiquiatria.
    Existe a tendência para recorrer ao Neurologista por depressão e ansiedade ao invés de recorrer ao Psiquiatra (que seria o especialista mais adequado por melhor dominar o diagnóstico e tratamento destas situações) devido ao receio de estigma ainda associado à consulta com um psiquiatra
    .






sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para relembrar os nossos trabalhinhos do Outono!!!

Quando o Outono chegou os meninos da creche de Odeceixe fizeram uns trabalhinhos para enfeitar as nossas salinhas... e resolvemos partilhar com vocês!!!

Projecto de Leitura "A Maleta Mágica"



FUNDAMENTAÇÃO

A comunicação é uma necessidade do ser humano e a sociedade actual confronta-nos constantemente com o código escrito, num apelo à leitura mas também à interpretação, o cada vez mais fácil acesso á informação desafia-nos permanentemente e exige novas literacias e competências.
Para que os nossos adultos de amanhã sejam autónomos, responsáveis, participativos, e possuam a capacidade de construir conhecimento através da interacção e partilha, precisamos de promover o acesso á informação mas também a sua consequente transformação em conhecimento e isto passa, sem qualquer dúvida, também pela leitura.
Desta forma, o ideal é iniciar desde cedo este processo com as nossas crianças, através de uma acção concertada e coerente, nomeadamente entre Família e Instituição, para a promoção de hábitos de leitura e na formação de leitores competentes.
Desde sempre a criança deve ser incentivada à leitura e a participar na aventura da descoberta do prazer de ler.
O contacto com os livros, ainda na 1ª infância, é muito benéfico para o desenvolvimento das crianças.
Estimular a leitura desde o berçário com bebés que ainda não sabem falar, pode ser muito importante e o caminho para se formar um leitor, o bebé observa, explora, contacta com as letras e com as imagens, é fundamental despertar este gosto desde cedo, cativando desde logo a atenção e interesse das crianças.
A leitura de histórias estimula a aquisição de linguagem e o estruturar do vocabulário. A leitura ajuda a despertar na criança a sensibilidade para diferentes formas de expressão, sendo igualmente um contributo para o desenvolvimento do seu potencial criativo.
Através dos livros as crianças conhecem e apreendem o mundo, sonham e deparam-se com diferentes realidades, para além disso a experiência única que é ouvir ou ler uma história, a partilha que propicia, aproxima, potencia e fortalece a relação da criança com o outro.
Por tudo isto, nasceu a ideia de elaborar este Projecto, que pretende proporcionar experiências diversificadas, momentos felizes e de qualidade às nossas crianças, sabendo que contribuem para o seu desenvolvimento harmonioso, e com a interacção e partilha com as famílias, para que essa mais valia que é a leitura de histórias, se estenda para além da Instituição, no lar das famílias e comunidade.



OBJECTIVOS

Este Projecto pretende ter impacto sobre os vários intervenientes que compõem a Instituição Casa da Criança do Rogil, desta forma foram estabelecidos para os vários envolvidos objectivos específicos:

Concretamente em relação às Crianças, o nosso principal destinatário:
◊ Contribuir para o desenvolvimento intelectual e emocional das crianças através dos livros;
◊ Proporcionar o contacto das crianças com os livros, livros adequados à sua faixa etária, diversificados e de qualidade;
◊ Incentivar o gosto e interesse das crianças pelos livros e estimular o prazer da leitura;
◊ Promover nas crianças o respeito pelos livros, objecto de grande valor;

No que diz respeito às Famílias das nossas crianças, pretendemos:
◊ Promover a participação e envolvimento das famílias;
◊ Desenvolver o gosto pela leitura em ambiente familiar;
◊ Proporcionar a partilha de leituras;
◊ Sensibilizar as famílias para a importância dos livros para as crianças;
◊ Sensibilizar as famílias para a escolha de livros de qualidade, adequados à faixa etária das crianças;
◊ Sensibilizar para a importância e formas de explorar os livros com as crianças;
◊ Sensibilizar as famílias para a importância de utilizar com qualidade o tempo passado com as suas crianças.

Em relação à Instituição propriamente dita, temos como objectivo:
◊ Enriquecer a biblioteca da Instituição com livros de qualidade adequados à faixa etária das crianças;
◊  Promover o envolvimento e participação dos colaboradores de forma motivada neste Projecto;
◊  Promover a Interacção e articulação entre as várias valências da Instituição;
◊  Fortalecer na Instituição um ambiente promotor da leitura.


Por fim, pretendemos também em relação à Comunidade:
◊ Promover a participação e envolvimento da comunidade onde a Instituição está inserida
◊ Sensibilizar a comunidade, em geral,  para a importância dos livros.



7 Excelentes razões para ler com as crianças
1-    Ouvir ler em voz alta, ler em conjunto, conversar sobre os livros, desenvolve a inteligência e a imaginação.
2-   Os livros enriquecem o vocabulário e a linguagem.
3-   As imagens, informações e ideias dos livros alargam o conhecimento do mundo.
4-   Quem tem o hábito de ler conhece-se melhor a si próprio e compreende melhor os outros.
5-   Ler em conjunto é divertido, reforça o prazer do convívio.
6-   Os laços afectivos entre as crianças e os adultos que lêem tornam-se mais fortes.
7-   A leitura torna as crianças mais calmas, ajuda-as a ganhar autoconfiança e poder de decisão.
(retirado do site do projecto do Plano Nacional da Leitura)


DESCRIÇÃO

Este é um projecto que será anualmente adoptado pelas valências da Instituição, primeiramente pelas Creches e posteriormente pelas valências de Ludotecas e CATL. O que se pretende é que este projecto seja flexível, de forma a ser adaptado anualmente a cada valência, a cada grupo de crianças e colaboradores e, claro de acordo com o Plano de Actividades definido. Sendo assim, será um projecto construído anualmente e que será complementar ao Projecto Pedagógico elaborado.
Este Projecto define a estrutura, estabelece os objectivos e as acções, e anualmente cada valência dá continuidade ao processo, definindo como o quer desenvolver, não é por isso um processo estanque, pensamos que assim obtemos um projecto mais rico desenvolvido de forma única por cada um dos grupos e desta forma inovamos, aprendemos e melhoramos.
Para atingir os objectivos estabelecidos definimos duas actividades principais:

◊ 1- Actividade de partilha de livros e de experiências 
de leitura entre Instituição e Casa.

◊ 2- Momentos especiais: onde poderá ser incluída qualquer actividade que tenha por base a leitura de histórias e pretenda atingir os objectivos estabelecidos.
Consideramos pertinente elaborar, à partida, os instrumentos que permitirão registar todas as actividades que forem elaboradas durante o ano, no âmbito do Projecto, por cada uma das valências.

 
E assim, no final do ano poderemos avaliar o desenvolvimento do projecto e dar o feedback dessa avaliação a todos os que nele colaboraram.
Estabelecemos assim neste projecto dois momentos a repetir anualmente, no início do ano, a divulgação, dirigida a todos os que pretendemos envolver e no final do ano uma actividade onde é dado o feedback da avaliação aos que nele colaboraram.
Um objectivo paralelo ao desenvolvimento das actividades de leitura é o
Enriquecimento da nossa Biblioteca, de forma a podermos proporcionar às nossas crianças livros diversificados, adequados à sua faixa etária e de qualidade.
Para a concretização deste objectivo vamos envolver a comunidade, como forma de promover a participação e a aproximação da Instituição, crianças e famílias com a comunidade onde está inserida.

RECURSOS
Para o desenvolvimento deste Projecto pensamos afectar ao nível dos recursos:

Recursos Humanos

¹ Este projecto irá primeiramente ser desenvolvido pelas valências de Creche e no ano seguinte será alargados às valências do CATL e Ludotecas, contudo queremos envolver todos os colaboradores da Instituição. Desta forma, a divulgação do projecto será alargada a todos os colaboradores, sendo que serão os responsáveis de cada valência a orientar o desenvolvimento anual do projecto.
¹ As crianças que frequentam as valências da Instituição, são, sem dúvida, o nosso recurso mais valioso, os principais actores do projecto.
¹ As famílias das nossas crianças, a quem pretendemos envolver de modo a obter uma participação activa, e que darão um contributo fundamental para o sucesso do Projecto.
¹ Voluntários da comunidade que se disponibilizem para colaborar na divulgação do projecto.
Recursos Materiais

¹ O principal recurso é a nossa biblioteca, e por isso, temos também como objectivo o seu enriquecimento, mas também outros materiais, objectos, como disfarces ou acessórios, que permitam a exploração da história após a leitura.
¹ Material de divulgação (folhetos), cartas de apresentação do projecto para entidades exteriores e formulários de registo do desenvolvimento do Projecto.

AVALIAÇÃO

A avaliação anual do projecto em cada valência será realizada no final do ano lectivo, no período de Verão, utilizando os formulários de registo das actividades desenvolvidas no âmbito do Projecto e outros instrumentos criados anualmente para esse fim. Nesta avaliação por valência estará reflectida a avaliação de todos os envolvidos, colaboradores, crianças, famílias e comunidade.

A actividade final do projecto será definida anualmente pelos envolvidos e será dado o feedback do Projecto aos que nele participaram.

Desta avaliação por valência resultará um Relatório final conjunto sobre o desenvolvimento do projecto nas várias valências.
Para além desta avaliação final, ao longo do ano serão realizadas reuniões/ encontros para partilha de experiências e organização de actividades em parceria.

terça-feira, 29 de março de 2011

A Importância da Rotina na Creche (Fada Orientadora)

“A sucessão de cada dia ou sessão tem um determinado ritmo existindo, deste modo, uma rotina que é educativa porque é intencionalmente planeada pelo educador e porque é conhecida pelas crianças que sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo a liberdade de propor modificações. Nem todos os dias são iguais, as propostas do educador ou das crianças podem modificar o quotidiano habitual.” «Orientações Curriculares, pp. 40»

Na educação infantil a rotina diária tem uma grande importância, no entanto é ainda maior para as crianças da creche (até 3 anos) pois exerce um importante papel de segurança e conforto.
A rotina diária na creche é muito importante, uma vez que proporciona à criança uma sequência de acontecimentos que ela segue e compreende, ou seja, oferece-lhe uma estrutura de acontecimentos do dia. Deve ser consistente, permitindo que a criança antecipe os acontecimentos que se vão seguir, sendo uma estrutura de segurança para a criança.
A rotina desempenha também um papel facilitador na captação do tempo e dos processos temporais. A criança aprende a existência de fases, do nome dessas fases e o seu encadeamento sequencial.
Contudo a rotina funciona também como um suporte para o educador pois permite-lhe gerir melhor o seu tempo e planificar o dia. Compreende-se por rotina os seguintes pontos:
1 – Acolhimento (08h às 9h45)
O acolhimento é uma fase muito importante do dia, deverá ser feito por um adulto da sala, disponível para conversar com quem traz a criança, de forma a saber como passou a noite, como acordou, a que horas comeu, compreendendo melhor a criança.
2 – Actividades dirigidas (9h45 às 10h30)
Este período é de extrema importância, por isso é fundamental que as crianças estejam todas na creche a esta hora. É o momento em que temos as conversas de tapete e explicamos a actividade que se irá elaborar durante a manhã. Para as crianças nesta faixa etária o tempo de concentração é diminuto, logo a entrada de crianças durante esta altura é prejudicial para o grupo em geral.
3 – Refeições (lanche da manhã, almoço, lanche da tarde)
Mais importante que "o dar de comer" é a relação afectuosa que se cria nas refeições. Estabelecem-se diálogos com as crianças, dá-se atenção, mostram-se sorrisos e isso permite transformar este momento num acto de afecto, de brincadeira, de jogo e de prazer. O respeito pelo horário das refeições, pela introdução de novos alimentos, pelo ritmo individual de cada criança e, ainda, por uma alimentação adequada e rica são, também, elementos a não esquecer.
4 – Higiene
A base indispensável para garantir o bem-estar do bebé ou criança é a sua higiene pessoal.
A simples acção de mudar a fralda pode parecer, à partida, uma tarefa não valorizada, que qualquer pessoa pode assegurar. No entanto, mais do que o simples contacto físico, pode constituir uma ocasião privilegiada para a construção de sentimentos essenciais de segurança e reconhecimento.
5 – Repouso (12h30 às 15h)
Quanto mais pequena é a criança, maior é a sua necessidade biológica de dormir. Existem, no entanto, alguns factores a ter em conta:
Adormecer num espaço calmo, silencioso, de modo a que o sono proporcione um momento agradável à criança. Se existir um objecto transaccional (um peluche ou objecto preferido), deverá acompanhar a criança neste momento, pois transmite conforto e alívio, permite representar a família ausente e tolerar melhor a separação.
(Texto adaptado)

As Mordidelas (Fada Orientadora)

Na fase do 1 aos 3 anos as crianças ainda estão a aprender a lidar com os outros, as regras de convivência e de viver em sociedade não estão nada assentes, o seu vocabulário e expressão não permitem ainda defender-se e expressar-se junto dos outros e a dentada ou o empurrão acontece como sendo a única forma de se evidenciarem e fazerem-se valer face aos outros.
A dificuldade em partilhar, tirar coisas uns dos outros, a disputa pelas pessoas e pelos brinquedos é expressa de uma forma mais física e nada verbal, daí as agressões e as dentadinhas.
As dentadas podem acontecer quando a criança está excitada ou quando a criança ainda não possui o vocabulário e a linguagem para se exprimir. É uma fase passageira, mas para que esta não se prolongue por tanto tempo, a eficácia na sua repreensão é fundamental.
Quando uma criança morde acaba por chamar a si muita e toda a atenção, talvez maior que aquela que inicialmente pretendia. Uma vez que as crianças se imitam umas às outras, as outras crianças podem começar a morder também e isto é o que, geralmente, acontece na creche ou nos Jardins.
A criança tem o seu primeiro contacto com o mundo através da boca, pelo seio materno, que lhe proporciona o prazer de saciar sua fome. Em razão dessa relação de prazer, à medida que cresce leva outras coisas à boca, como as mãos e os pés. Aos poucos vai tentando saborear outros objectos e até mesmo as pessoas, na tentativa de conhecer e descobrir melhor o mundo.
A fase oral é dividida em duas etapas, a de sucção e a de mordida. Na fase da mordida "há uma tendência a destruir, morder, triturar o objecto antes de incorporá-lo". Essa fase é dividida em duas características principais, sendo oral receptiva, quando o sujeito não passa por privações, tornando-se uma criança muito generosa e oral agressiva que aparece uma "tendência a odiar e destruir, a ter ciúmes da atenção que outros recebem, a nunca estar satisfeito com o que tem e a desejar que os outros não tenham algumas coisas, mesmo que não as queira para si".
A criança que morde, na verdade, está à procura de uma forma prazeirosa de se expressar com o mundo, de se descobrir dentro dele, pois nesta fase a sua libido está centrada na boca, na porção superior do trato digestivo.
Através desse contacto, aos poucos vai percebendo várias diferenças como doce e salgado, duro e mole. E na escola, ao morder um amigo, descobre novas sensações de prazer, como em ver o susto, a reacção, o choro do outro. A partir dessa sensação agradável, volta a fazer repetidamente.
As mordidas acontecem em situações de disputa por brinquedos ou quando entra uma criança nova no grupo, causando emoções como insegurança, medo da perda ou ciúmes do novato, já que a educadora está com a atenção mais voltada para o mesmo. Como não consegue administrar seus sentimentos, manifesta o incómodo através da mordida.
Nunca é nem nunca será solução assustar a criança e repreendê-la fisicamente pelo acto cometido, uma voz firme no momento exacto será suficiente para repreender o acto, se essa situação já se tiver prolongado e a criança já tenha por hábito esse gesto, o ideal talvez seja colocar a criança numa posição menos agradável, colocando-a de parte dos outros, retirando-lhe um brinquedo de que goste muito e explicar-lhe da melhor forma que essa não é solução, ensinando-a a dizer não, quando contrariada pelo colega ou a chamar o adulto quando precisa de alguma coisa. Conversar com as crianças, tanto com a que foi mordida como com quem a mordeu, é um exemplo de que não é com violência que se resolve as situações. Outra estratégia a tentar será falar primeiro com a criança que foi mordida de modo a não dar tanta atenção à criança que mordeu, de modo a que esta nunca associe a violência a uma chamada de atenção.
É importante detectar as situações logo de início, uma vez que se trata de um hábito que se pode manter, o facto de fazer com que não se torne um hábito é um ganho. Há que trabalhar com as crianças as suas capacidades de comunicação com os outros e ensiná-las a respeitar-se mutuamente. É uma capacidade que tem que ser cultivada e adquirida pela criança.


Texto adaptado

A adaptação (Fada Orientadora)

O Período de adaptação é “aquele” terrível momento para as crianças, pais, famílias e… educadoras. Sim, para as educadoras também. É horrível ver uma criança chorar desesperadamente porque os seus pais a deixaram “abandonada” (como ela pensa que foi) e não poder fazer nada por ela, salvo deixá-la chorar, fazer-lhe miminhos, dar-lhe abraços e beijinhos até que entenda que a mamã, o papá, a avó… vão voltar.
A todos nós nos custa adaptarmo-nos às mudanças: a mudar de casa, adaptar-nos a um posto de trabalho… Imaginem o que não deve custar a esse diminuto ser que, tão pequeno, experimenta essa grande mudança.
Vai passar do seio familiar, em que todos são conhecidos e onde ele sabe que o amam muito, para a “escola”, um lugar estranho, cheio de pessoas estranhas e com um monte de crianças, que ele vê como rivais.
Nós, os peritos e profissionais que trabalhamos neste campo consideramos que quanto mais cedo se produzir esta mudança, melhor será, tanto para o bebé como para as famílias. A idade que se considera ideal para tal são os seis meses, uma vez que é a partir desse momento que o vínculo materno filial se torna mais forte e a separação poderá ser mais dolorosa.
“Quanto tempo vai levar o meu filho a adaptar-se à creche?”, “Nunca mais vai deixar de chorar?”: são algumas das perguntas mais frequentes que se ouvem em qualquer creche nos primeiros dias. Cada criança é um mundo, e como tal, levará tempo a adaptar-se, dependendo das suas características.
É evidente que muitos são os factores que influenciam, como o tempo que passa com os pais ou os avós, se é ou não uma criança que adoece com facilidade, se tem ou não irmãos, etc.
Há que dar tempo á criança e não devemos pretender que se adapte no tempo a que a nós nos cai bem. Há que respeita-la e dar-lhe o seu tempo para que adaptação seja plena e completa.
Às vezes são os pais quem realmente necessita de uma adaptação. A sua insegurança ao deixa-los na creche, de mãos a tremer, lagriminha no olho… fazem sentir á criança que qualquer coisa não vai bem e o que vai acontecer a seguir não deve ser boa coisa.
Devemos tentar deixar as crianças entregues aos educadores com a maior serenidade e confiança, para que elas entendam que o que estamos a fazer está bem. Quando vemos que, mesmo assim, a criança chora, temos que tentar tranquiliza-la com frases como: “calma, a mamã e o papá já voltam”, “vêm buscar-te depois”.
Nunca, e isto é muito importante, nunca deve a família ameaçar as crianças com as “escola”, pois assim não conseguiremos uma adaptação totalmente satisfatória. Embora os nossos filhos sejam parte de nós mesmos, eles são pessoas com ideias e sentimentos próprios os quais devemos deixar “voar” e não pretender que estejam sempre connosco e nos adorem.
Para que o bebé ou a criança que vai pela primeira vez à creche, não seja “largado” e “arrancado” dos braços da família, todos em desespero, deve fazer-se uma adaptação gradual.
(Texto adaptado)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Projecto de Actividades 2010/2011 "Pequenos Artistas, Grandes Ideias..."


PROJECTO DE ACTIVIDADES 2010/2011:
As actividades desenvolvidas pelas crianças que frequentam as Ludotecas e CATL estão inseridas no Projecto Anual de Actividades da Casa da Criança do Rogil.
TEMA
Pequenos artistas grandes ideias….!!!!

As manifestações criativas das crianças podem ajudar-nos a compreender melhor o seu desenvolvimento emocional, intelectual, físico, social, estético e criador, são no fundo a expressão da sua essência.
Por vezes, são os adultos, que de forma inconsciente condicionam a criatividade das  crianças, confundindo a criatividade das crianças com algo incorrecto apenas porque não corresponde à realidade conhecida.
As iniciativas criativas das crianças devem ser elogiadas e valorizadas para que mais tarde se tornem adultos inovadores, com maior capacidade para resolver problemas com uma maior auto-estima.
Este reforço positivo dos adultos significativos irá estimular ainda mais a imaginação das crianças favorecendo a emergência de uma atitude e sensibilidade positivas que com certeza tornarão a criança mais capaz e competente.
Através do desenvolvimento da capacidade criadora promover-se-á um crescimento mais equilibrado e global da criança.
Com este projecto pretendemos promover e estimular a capacidade criadora das nossas crianças, não só no desenvolvimento das actividades mas também no próprio processo de planificação das mesmas, utilizando para tal uma técnica bastante conhecida, denominada como um activador criativo, a Chuva de Ideias.

OBJECTIVOS
◊ Promover um tempo de lazer, diversão e descontracção, complementar mas distinto do tempo passado na Jardim-de-infância;
◊ Proporcionar recursos e oportunidades criativas, diversificadas e adequadas aos interesses das crianças;
◊ Desenvolvimento do potencial criativo e expressivo de cada criança;
◊ Promover o respeito pela liberdade de expressão
◊ Estimular a curiosidade, favorecer a originalidade e apreciação pelo novo.
◊  Promover, simultaneamente, a auto-estima e autonomia individual e a riqueza das interacções com diferentes faixas etárias e o espírito de equipa.
◊  Promover no grupo a escuta activa, a tolerância e o respeito pelo outro
◊ Sensibilizar os pais/encarregados de educação para a importância do incentivo ao desenvolvimento do potencial criativo das crianças.
◊  Incentivar e promover a participação e envolvimento das famílias
◊  Promover o envolvimento com a comunidade de forma a incentivar a formação de cidadãos conscientes e participativos
DESCRIÇÃO DO PROJECTO
Ao longo do ano vão ser trabalhados 4 temas: Natal, Carnaval, Páscoa e dia da Criança
Para cada um destes temas:
1º Sessão de chuva de ideias
O grupo através da utilização da técnica Chuva de ideias vai responder a duas questões divergentes sobre o tema em questão
O que querem dizer sobre…? O que querem saber sobre…?
Depois da sessão é exposto o resulto da sessão, o tema central e todas as ideias recolhidas na sessão.

2º Planificação de Actividades
O resultado da sessão de chuva de ideias é a matéria-prima a partir da qual vão ser planificadas as actividades.
As animadoras elaboram a categorização das ideias exprimidas, nomeadamente entre os objectos, sensações e perguntas.
Para cada ideia ou agrupamento de ideias são planificadas actividades criativas e diversificadas.
A planificação das actividades é definida em conjunto com o grupo, desta forma as crianças associam a actividade à sua ideia, identificando como o dia da sua actividade.
A planificação das actividades é elaborada de forma acessível às crianças e afixada para que possa ser acompanhada pelo grupo e consultada pela família.

3º Os temas/As actividades
Os temas seleccionados são coincidentes com as épocas festivas anualmente comemoradas de forma a que:
● sejam temas significativos para as crianças
● estas datas possas ser comemoradas de forma diferente, reinventando conceitos e tradições
● integrando os temas das épocas festivas no projecto não se verifique uma sobrecarga para as crianças
O grande desafio é a criatividade em todo o processo de planificação pois as crianças vão partir do tema para algo muito diferente, sendo o tema apenas o ponto de partida. Ou seja, as actividades não vão ser cingidas ao tema em questão, este é apenas a base para as ideias das crianças, de onde vão surgir as actividades, que se pretendem tão variáveis quanto possíveis.
Pretende-se não só um processo de planificação mais criativo mas também que o desenvolvimento das actividades, seja em si uma oportunidade para o desenvolvimento da criatividade e das capacidades de expressão das crianças.
Em relação às actividades terão que ser diversificadas e originais, ter sempre como objectivo a criação e incentivarem a capacidade de expressão das crianças.
3º Avaliação do projecto
◊ No final de cada tema é realizada uma reflexão com as crianças. Nesta avaliação são mostradas como suporte fotografias e produtos das actividades e é registada através de uma chuva de ideias a avaliação das crianças. Nesta avaliação como ao longo do desenvolvimento do projecto é reforçado positivamente a capacidade de inovação, a criatividade e o contributo individual de cada um.
◊ O Projecto pressupõe uma avaliação contínua, tanto pelas responsáveis, animadoras e auxiliares que reunirão semanalmente e mensalmente com a Directora Técnica, para articular e definir estratégias, como, e principalmente, pelas próprias crianças que terão que ser sempre ouvidas, pois são elas que através da sua participação activa vão mostrar o rumo que o seu Projecto irá tomar.
 ◊ No mês de Julho é organizada a exposição do Projecto de Actividades, apresentada no Arraial da Casa da Criança do Rogil.
Oficinas criativas: Dia do Pai e Dia da Mãe
◊ Tal como no ano transacto, para comemorar o Dia da mãe e do pai vão ser organizadas oficinas criativas onde cada criança vai individualmente criar a sua prenda.
◊ As animadoras vão facilitar o processo de criação fazendo com que as crianças imaginem o que querem construir tendo como base: como são e de que gostam os seus pais e o que mais gostam de fazer com eles.
◊ As animadoras disponibilizam materiais diversificados na oficina criativa.
◊ Mais importante do que a perfeição do resultado é todo o processo de criação e o seu significado, sendo todo este processo e significado transmitido aos pais.

Programa de Competências Pessoais e Sociais
◊ Será desenvolvido um novo Programa de Competências Pessoais e Sociais específico para cada grupo, elaborado pelas animadoras responsáveis por cada valência com a supervisão e apoio da Psicóloga Telma Serrão.
◊ Se necessário as crianças serão divididas em grupos mais pequenos.
◊ As sessões têm uma periodicidade semanal.
◊ A planificação das sessões do Programa (calendarização e objectivos) foi entregue aos pais que autorizaram a participação das crianças no mesmo. No final do Programa será dado feedback dos resultados alcançados às famílias e organizada uma sessão do Programa de Competências Pessoais e Sociais com pais e filhos.