sexta-feira, 13 de abril de 2012

PROJECTO DE ACTIVIDADES 2011/2012- LUDOTECAS E CATL


“VIAGENS À TERRA DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS”

INTRODUÇÃO

A Convenção sobre os Direitos da Criança foi adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 20 de Novembro 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990, apesar de já ter sido igualmente ratificada pela maioria dos Países, a verdade é que continuamos a assistir, hoje em dia, a inúmeros casos em que os Direitos das Crianças não são respeitados.
Como esta é uma realidade que a todos diz respeito e a nós, particularmente, nos preocupa, decidimos que definir este tema para o Projecto Anual de Actividades seria uma forma de dar um contributo para a sensibilização de crianças, famílias e comunidade em geral para esta temática.
Concretamente em relação às crianças pretendemos que as crianças conheçam, exerçam, defendam e expressem livremente os seus direitos e deveres, respeitando o outro e a si próprio, em contextos de liberdade, igualdade e responsabilidade.
Naturalmente que o tema será tratado de forma lúdica e sempre com o objectivo de promover a diversão e o bem-estar mas também com objectivos definidos no âmbito das competências pessoais e sociais das nossas crianças.
Neste projecto utilizamos o conceito de viagens enquanto processo de desenvolvimento individual e grupal, um processo em construção com a participação activa de todos os envolvidos, e tendo como principais actores as crianças.


OBJECTIVOS

◊ Promover um tempo de lazer, diversão e descontracção, complementar mas distinto do tempo passado na Jardim-de-infância/escola;
◊ Promover a consciência dos direitos e deveres individuais
◊ Incentivar o respeito pelos direitos dos outros
◊ Proporcionar recursos e oportunidades criativas, diversificadas e adequadas aos interesses das crianças;
◊ Desenvolvimento do potencial criativo e expressivo de cada criança;
◊ Promover o respeito pela liberdade de expressão
◊ Estimular a curiosidade, favorecer a originalidade e apreciação pelo novo.
◊  Promover, simultaneamente, a auto-estima e autonomia individual e a riqueza das interacções com diferentes faixas etárias e o espírito de equipa.
◊  Promover no grupo a escuta activa, a tolerância e o respeito pelo outro
◊  Incentivar e promover a participação e envolvimento das famílias
◊  Promover o envolvimento com a comunidade de forma a incentivar a formação de cidadãos conscientes e participativos
◊  Sensibilizar as famílias das crianças e a comunidade em geral para a temática dos direitos das crianças.

DESCRIÇÃO DO PROJECTO


1º Apresentação do Projecto

◊ Em primeiro lugar, será preparada uma sessão de apresentação geral do Projecto para o grupo de crianças.
◊ Depois da apresentação geral do tema será introduzido o Projecto, explicando às crianças que ao longo do ano serão realizadas várias viagens imaginárias à terra dos direitos das crianças. Para tal será necessário construir um meio de transporte especial, assim como outros acessórios, como por exemplo, capacetes.
◊ Como durante o ano serão efectuadas algumas pausas no Projecto para desenvolver outras actividades será importante estabelecer uma rotina, que marque o inicio de cada viagem.
◊ Durante estes preparativos será também importante realizar um jogo e posterior reflexão com as crianças sobre os conceitos de direito e dever, para uma progressiva interiorização dos mesmos.

2º Viagens à terra dos Direitos das crianças

◊ Cada viagem iniciará, assim, com uma rotina divertida, por exemplo, cantar uma música, preparar e abastecer o meio de transporte, colocar os adereços como o capacete, ou outros.
◊ Chegados à terra dos direitos da criança será apresentado o Direito e realizada uma actividade relacionada.
◊ Depois da actividade, será feita uma reflexão conjunta acerca do direito, através da chuva de ideias, as crianças irão expressar as suas opiniões e desta forma será realizada uma avaliação de forma contínua.
◊ Para além dos direitos serão também abordados os Deveres das crianças, enquadrados nos direitos correspondentes, por exemplo, correspondente ao direito a brincar temos o dever de cuidar e arrumar os nossos brinquedos.

3º Actividades

◊ As actividades realizadas no âmbito do Projecto serão preparadas pelas animadoras, actividades que promovam o potencial criativo de cada criança e incentivem as suas capacidades de expressão.
◊ Na realização das actividades deve ser dada importância aos cenários e ao clima criado que promoverá o despertar da imaginação das nossas crianças.
◊ A diversidade no tipo de actividades desenvolvidas também é outro dos objectivos.
◊ As actividades são pensadas pelas animadoras, de forma a que as crianças tenham um papel activo no seu desenvolvimento.
◊ As actividades visam sempre o divertimento e bem-estar das crianças e também têm como objectivo sensibilizar as crianças para a defesa dos seus direitos mas também reforçar os seus deveres como cidadãos, em relação a si mesmos e aos outros.
4º Registo das viagens
◊ Ao longo do desenvolvimento do projecto iremos registar as actividades realizadas num Diário de Bordo. No diário de bordo irão constar para cada direito abordado: a descrição das actividades realizadas, os materiais utilizados, os deveres, o correspondente registo fotográfico e o resultado da chuva de ideias realizada com as crianças, para além de outra documentação considerada pertinente.

5º Participação das famílias

◊ Um dos objectivos do Projecto é o envolvimento das famílias, assim, delinearemos formas de incentivar a participação das famílias, e manteremos sempre a preocupação de transmitir informação regularmente, tanto afixando como verbalmente no dia-a-dia, acerca do desenvolvimento do Projecto.
◊ Concretamente, pretendemos sensibilizar as famílias para a temática dos direitos das crianças, desta forma iremos ao longo do projecto organizar actividades com esse objectivo.
6º Avaliação do Projecto

◊ O Projecto será avaliado de forma contínua pelas crianças em sessões de chuva de ideias, após cada viagem.
◊ Nesta avaliação como ao longo do desenvolvimento do projecto é reforçado positivamente a criatividade e o contributo individual de cada um.
◊ Assim, o Projecto pressupõe uma avaliação contínua, tanto pelas responsáveis, animadoras e auxiliares que reunirão semanalmente e mensalmente com a Directora Técnica, para articular e definir estratégias, como, e principalmente, pelas próprias crianças que terão que ser sempre ouvidas, pois são elas que através da sua participação activa vão mostrar o rumo que o seu Projecto irá tomar.
 ◊ No mês de Julho é organizada a exposição do Projecto de Actividades, com a apresentação do Livro “Viagens pela Terra dos Direitos das Crianças”, construído tendo por base o diário de bordo elaborado ao longo do ano.

Datas Comemorativas: Natal, Carnaval, Páscoa

◊ Durante estes períodos será feita uma pausa nas viagens pela terra dos direitos das crianças, para comemorarmos estas datas festivas que coincidem com períodos de interrupções lectivas.
◊ Para tal, e dando seguimento à metodologia participativa iniciada no Projecto anterior, iremos desenvolver sessões utilizando como activador criativo a técnica “chuva de ideias”, para cada um desses temas.
◊ O resultado da sessão de chuva de ideias é a matéria-prima a partir da qual vão ser planificadas as actividades.
◊ As animadoras elaboram a categorização das ideias exprimidas, nomeadamente entre os objectos, sensações e perguntas.
◊ Para cada ideia ou agrupamento de ideias são planificadas actividades criativas e diversificadas.
◊ A planificação das actividades é definida em conjunto com o grupo, desta forma as crianças associam a actividade à sua ideia, identificando como o dia da sua actividade.
◊ A planificação das actividades é elaborada de forma acessível às crianças e afixada para que possa ser acompanhada pelo grupo e consultada pela família.



Oficinas criativas: Dia do Pai e Dia da Mãe

◊ Tal como no ano transacto, para comemorar o Dia da mãe e do pai vão ser organizadas oficinas criativas onde cada criança vai individualmente criar a sua prenda.
◊ As animadoras vão facilitar o processo de criação fazendo com que as crianças imaginem o que querem construir tendo como base: como são e de que gostam os seus pais e o que mais gostam de fazer com eles.
◊ As animadoras disponibilizam materiais diversificados na oficina criativa.
◊ Mais importante do que a perfeição do resultado é todo o processo de criação e o seu significado, sendo todo este processo e significado transmitido aos pais.
◊ Será organizada uma actividade de comemoração do Dia do pai e do Dia da Mãe com a participação das famílias.

Programa de Competências Pessoais e Sociais

◊ Será desenvolvido um novo Programa de Competências Pessoais e Sociais específico para cada grupo, elaborado pelas animadoras responsáveis por cada valência com a supervisão e apoio da Psicóloga Telma Serrão.
◊ Se necessário as crianças serão divididas em grupos mais pequenos.
◊ As sessões terão uma periodicidade semanal.
◊ A planificação das sessões do Programa (calendarização e objectivos) será entregue aos pais que autorizarão a participação das crianças no mesmo. No final do Programa será dado feedback dos resultados alcançados às famílias e organizada uma sessão do Programa de Competências Pessoais e Sociais com pais e filhos

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Intervenção Psicológica em Grupo

A terapia em grupo, Intervenção Psicológica, tem sido alvo de grande reconhecimento em Portugal, a nível social, escolar e psicoterapêutico.
  • O que é a intervenção em grupo.
Em Psicologia a intervenção pode ser realizada individualmente ou em grupo. A opção em efectuar a terapia individualmente ou em grupo é sempre tomada com o objectivo de melhor se adequar ao indivíduo.
Certos casos obtém melhores resultados com uma intervenção a nível individual, e outros com uma intervenção a nível de grupo.
Algumas situações não podem ser trabalhadas a nível individual, sendo necessário complementar um trabalho em grupo, e vice-versa.
A intervenção em grupo é muito útil e aconselhada em pessoas com tendências para a somatização; sujeitos com sintomas de inadequação e inferioridade; pessoas com perturbações narcisísticas; e pessoas com algum desajuste a nível social e de integração em grupo, permitindo que se trabalhem competências pessoais e sociais.
Numa intervenção em grupo os elementos têm a possibilidade de partilhar experiências, debater as suas opiniões, conhecer diferentes pontos de vista e criar uma noção de grupo.
É uma forma de terapia tão importante como a consulta psicológica individual, e igualmente rica em termos de estímulos, objectivos e resultados.
A grande diferença entre a intervenção em grupo e a consulta individual é o tempo. Ao trabalhar com um grupo é necessário uma permanente observação das exigências de cada elemento e  das exigências do grupo, à sua evolução e maturação. O grupo evolui não ao mesmo ritmo que os seus elementos e é necessário que se facilitem processos individuais e processos de grupo, de modo a favorecer a harmonização.
  • Como é organizada uma sessão de grupo
Ao iniciar o trabalho em grupo é necessário efectuar uma primeira entrevista, que permita recolher informações sobre o grau de motivação, disponibilidade e características pessoais, de modo a criar-se um grupo equilibrado e em qual os elementos se enquadrem e possam trabalhar objectivos comuns.
São traçados objectivos comuns que correspondem às suas expectativas e necessidades, e que são trabalhados ao longo das sessões.
As primeiras sessões têm como função permitir que os elementos se conhecam entre si, tomem consciência das características de cada um e se acomodem às mesmas. À medida que o grupo se vai conhecendo melhor serão possíveis de abordar temas mais pertinentes e específicos.
  • Objectivos da Intervenção em Grupo
Os objectivos de uma intervenção em grupo são a troca de experiências e de suporte; facilitar a comunicação no grupo; estimular a expressão de sentimentos, medos, crenças e a exposição de problemas pessoais, familiares, sociais, etc; promoção de apoio mútuo.
  • Vantagens da Intervenção em Grupo
As vantagens são observáveis na própria dinâmica do grupo. A aprendizagem é sempre possível, passiva ou activamente; o reforço é bastante diversificado, sendo realizado pelo terapeuta e pelos outros elementos do grupo; e a comunicação pode ser adaptada pelos elementos do grupo, gerando modelos expressivos.
  • Diferentes tipos de Intervenção em Grupo
Na intervenção em grupo, muitas vezes o elemento do grupo vê a terapia como algo menos eficaz em relação a uma terapia individual. Esta é uma ideia errada que muitas pessoas ainda hoje partilham.
O trabalho realizado favorece o desenvolvimento de processos psicológicos, como o crescimento pessoal, o amadurecimento e a aprendizagem. O grupo é por si só um contexto psico-social rico em estímulos e potencialidade.
A intervenção em grupo pode ser realizada de diferentes formas, consoante os objectivos e público-alvo

.> Dinâmica de Grupos
São as mais conhecidas, nas quais os indivíduos possuem algo em comum a nível de relacionamento interpessoal e/ou social.
Os indivíduos são incluídos num grupo onde são criadas normas, papéis sociais, a necessidade de pertencer, influência social e efeitos sobre o comportamento.
Aqui utiliza-se muito o jogo/dinâmica, que promove uma comunicação efectiva e permite o conhecimento do leque de reacções presente nos membros do grupo.
A coesão do grupo e a existência de uma atmosfera aberta e condescendente é possível através do jogo, do prazer que este gera no grupo, no desenvolvimento da sua identidade.

> Estimulação Cognitiva
Aqui o objectivo é optimizar o funcionamento de certas funções cerebrais após uma avaliação do seu déficit.
O trabalho consiste num programa específico de sessões em grupo onde é procurada a amenização do comportamento cognitivo e estimular as funções cognitivas através de aprendizagens básicas e/ou de vida diária que envolvem a memória, concentração, atenção e coordenação espaço-temporal, etc.
O principal objectivo é promover uma melhoria da qualidade de vida, potenciar um aumento na qualidade das funções cognitivas e secundariamente promover o aumento da auto-estima e das relações interpessoais.

> Grupo Terapêutico
Um grupo terapêutico consiste numa terapia de grupo com cerca de cinco elementos, na qual os participantes descobrem, transformam e enriquecem o modo de relacionamento interpessoal de cada um, através da partilha de experiências, habitualmente determinantes para o seu bem-estar físico e emocional.
A principal diferença neste tipo de grupos é a não existência de um líder, o terapeuta funiona apenas como transmissor de algum conhecimento e como facilitador das trocas de experiências mantendo sempre a mesma atitude e propondo ao grupo vivências que o ajudem a alcançar os seus objectivos de crescimento pessoal.

Eunice Faria
Psicóloga

    terça-feira, 3 de abril de 2012

    ABRIL: MÊS DE PREVENÇÃO DOS MAUS TRATOS NA INFÂNCIA


    A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, a Associação de Mulheres Contra a Violência e a Câmara Municipal de Lisboa associam-se, desde 2008, para a organização de actividades no âmbito do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância* – mês de Abril, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América, desde 1983, e em diversos países europeus, desde o início deste século. Sendo a protecção das crianças responsabilidade de toda a sociedade, associamo-nos novamente para celebrar o Mês de Abril como o mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, com iniciativas, cujo programa segue em anexo.

    Ao longo dos anos, esta comemoração tem vindo a ser abraçada por vários concelhos do país, esperando-se que a médio e longo prazo se torne num Mês Nacional da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância.

    Pretende-se, com esta comemoração, consciencializar a comunidade para a importância da prevenção dos maus-tratos na infância, do fortalecimento das famílias no sentido de uma parentalidade positiva e ainda do fundamental envolvimento comunitário.
    JUNTOS/AS FAZEMOS A DIFERENÇA!

    Algumas evidências…


    A OMS estima que cerca de:
    • 40 milhões de crianças são vítimas de alguma forma de maus-tratos;
    • 53,000 de mortes de crianças em 2002 foram por homicídio.
    O World Report on Violence Against Children (Nações Unidas, 2006) apresenta também alguns dados que importam referir:

    • Entre 20% a 65% das crianças em idade escolar nos países desenvolvidos revelam ter sido vítimas de bullying verbal ou físico na escola nos anteriores 30 dias (Global School-Based Student Health Survey). Foram identificadas 15 taxas semelhantes nos países industrializados.
    • Estima-se que 50 milhões de raparigas e 73 milhões de rapazes com menos de 18 anos experienciaram relações sexuais forçadas ou outro tipo de violência sexual envolvendo contacto físico.
    • Apenas 2,4% das crianças de todo o mundo são legalmente protegidas da punição corporal nos vários contextos em que se inserem.
    De acordo com o relatório Five Years On: a global update on violence against children (2011) produzido pelo Conselho Consultivo de ONG’s (Organizações Não Governamentais) de Acompanhamento do Estudo sobre a Violência contra as Crianças das Nações Unidas:

    • Em média 86% das crianças entre os 2 e os 14 anos experienciaram violência psicológica nas suas casas mensalmente;
    • A punição corporal por parte de professoras/es ainda é autorizada 78 países;
    • Em alguns países mais de 97% das/os estudantes foram agredidas/os na escola;
    • Crianças portadoras de deficiência têm quatro a cinco vezes mais probabilidade de experienciar violência e abuso sexual do que crianças não portadoras.
    Segundo dados do Relatório de Actividades das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, em 2010 houve um volume processual global de 68300 processos, com 68421 crianças e jovens acompanhadas/os, dos quais 28103 correspondem a novos processos instaurados. Na maioria são crianças e jovens vítimas de negligência, exposição a modelos de comportamento desviante, abandono escolar e maus-tratos psicológicos.


    O Relatório do “Risks and safety on the Internet: the perspective of european children” (Eukids Online, 2010) refere que “12% dos jovens entre os 9 e os 16 anos dizem que foram perturbadas, intimidados ou maltratados através da Internet”.


    Segundo os dados disponibilizados pelo Child Abuse Training Services – Prosecuting Attorneys Association of Michigan (In http://www.michiganprosecutor.org/cats/index.html):

    • Todos os dias 4 crianças morrem vítimas de maus-tratos;
    • A cada 10 segundos 1 novo caso de maus-tratos é denunciado
    • Os maus tratos na infância são transversais a qualquer estrato sócio económico, etnia, cultura, religião e nível de educação;
    • Os custos económicos dos maus tratos são incalculáveis estimando-se nos EUA em 2007 cerca de $104 biliões de dólares;
    • Os maus tratos na infância estão associados a vários tipos de problemáticas nomeadamente, toxicodependência, alcoolismo, gravidez adolescente, delinquência, criminalidade juvenil e outros comportamentos de risco.
    • * A Organização Mundial de Saúde (OMS) define abusos ou maus-tratos às crianças como todas as formas de lesão física ou psicológica, abuso sexual, negligência ou tratamento negligente, exploração comercial ou outro tipo de exploração, resultando em danos actuais ou potenciais para a saúde da criança, sua sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade num contexto de uma relação de responsabilidade, confiança ou poder. Estabelece, ainda, quatro tipos de maus-tratos: físico, emocional, sexual e negligência.

    sexta-feira, 14 de outubro de 2011

    Semana Combate à Pobreza e à Exclusão Social

    A Casa da Criança do Rogil, como Instituição Particular de Solariedade Social está sensível a estas causas. Assim, com diferentes actividades vai assinalar a semana de 17 a 21 de Outubro de 2011.

    Acções a realizar:
    1. Distribuição de Alimentos a Famílias Desfavorecidas (no âmbito do Programa PCAAC)
    2. Distribuição de Vestuário a Famílias Desfavorecidas
    3. Distribuição de Folhetos de Sensibilização/Informação sobre a Problemática da Saúde Mental 

    segunda-feira, 10 de outubro de 2011

    Inscrições para o Projecto EspecialMente



    Estão abertas as inscrições para o Projecto EspecialMente.

    Para se inscrever basta dirigir-se às instalações do Projecto na
    Rua João Dias Mendes, nº 46 em Aljezur.

    Para outras informações pode dirigir-se directamente às instalações do Projecto ou   contactar-nos através do: 282 995 433 / 960 115 433 
    ou para o email: projecto.especialmente@gmail.com


    Esperamos por si!

    Dia Mundial da Saúde Mental


    Comemora-se hoje, dia 10 de Outubro o dia mundial da Saúde Mental.
    “Os estudos epidemiológicos mais recentes demonstram que as perturbações psiquiátricas e os problemas de saúde mental se tornaram a principal causa de incapacidade e uma das principais causas de morbilidade, nas sociedades actuais. A carga de perturbações mentais tais como a depressão, dependência do álcool e esquizofrenia foi seriamente subestimada no passado, devido ao facto de as abordagens tradicionais apenas considerarem os índices de mortalidade, ignorando o número de anos vividos com incapacidade provocada pela doença. Das 10 principais causas de incapacidade, 5 são perturbações psiquiátricas.
    Também, segundo a Academia Americana de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e a OMS-Região Europeia, uma em cada cinco crianças apresenta evidência de problemas de saúde mental e este peso tende a aumentar.
    Para além das pessoas que apresentam uma perturbação diagnosticável, muitas têm problemas de saúde mental que podem ser considerados “subliminares”, ou seja, não preenchem os critérios de diagnóstico para perturbação psiquiátrica mas estão também em sofrimento, devendo beneficiar de intervenções.” (Dados retirados do Plano Nacional Saúde Mental 2007 – 2016 Coordenação Nacional de Saúde Mental)


    SAÚDE MENTAL
    O que é a Saúde Mental?
     É sentirmo-nos bem connosco próprios e na relação com os outros. É sermos capazes de lidar de forma positiva com as vicissitudes do dia a dia. É sentirmo-nos confiantes e não temermos o futuro.
    Para termos saúde mental não basta a ausência de sintomas psiquiátricos, é necessário a presença de competências e recursos internos que permitam enfrentar os obstáculos da vida, não adoecendo, mas sim vivendo em bem estar psíquico, ou seja, com robustez mental.
               O indivíduo com boa saúde mental sente-se geralmente bem, feliz, com energia e confiança, tem capacidades que o tornam adequado, estável, equilibrado, capaz, mesmo em situações adversas.
    A saúde mental depende de vários factores, nomeadamente, o estado biológico global e cerebral do indivíduo, a presença de uma vida equilibrada, com baixos níveis de stress, relacionamentos familiares e sociais estáveis, respeito pelos limites físicos e psíquicos, equilíbrio entre as actividades profissionais/familiares/sociais, etc.


    DOENÇA MENTAL. O QUE É?
                Não há uma, mas diversas e distintas doenças mentais.
    Podemos dizer que sofremos de doença mental quando temos algum sofrimento emocional, quando sentimos dificuldades cognitivas ou quando nos apercebemos que a percepcção e o nosso pensamento se modificaram.
    As perturbações psiquiátricas e os problemas de saúde mental são uma  das principais causas de incapacidade. Em Portugal, 1 em cada 5 portugueses terá uma doença mental ao longo da sua vida.  

    QUEM PODE PADECER DE DOENÇA MENTAL?
            Ao longo da vida, todos nós podemos ser afectados por perturbações de saúde mental, de maior ou menor gravidade. Algumas fases, como a entrada na escola, a adolescência, a menopausa e o envelhecimento, ou acontecimentos e dificuldades, tais como a perda de familiar próximo, o divórcio, o desemprego, a reforma e a pobreza podem ser causa de perturbações da saúde mental.


    PROBLEMAS DE DOENÇA MENTAL MAIS FREQUENTES

    Ø      Ansiedade
    Ø      Mal-estar psicológico ou stress continuado
    Ø      Depressão
    Ø      Abuso e dependência de álcool e outras drogas
    Ø      Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia
    Ø      Suicídio
    Ø      Deficiência Mental e Perturbações Globais do Desenvolvimento
    Ø      Perturbações Disruptivas do Comportamento e Défice de Atenção
    Ø      Demências



    Falsos (Pré) Conceitos Sobre a Doença Mental

    Apesar da alta prevalência das perturbações mentais, os conceitos e os mitos sobre doença mental continuam a persistir. Assim, os indivíduos afectados por perturbações do foro da saúde mental são muitas vezes incompreendidos, estigmatizados, excluídos e/ou marginalizados devido a falsos conceitos
    Os mitos, a estigmatização e a discriminação associados à doença mental, faz com que muitos indivíduos tenham vergonha e receio de procurar apoio ou tratamento, ou não queiram reconhecer os primeiros sinais ou sintomas de doença

    Não devemos nunca esquecer que os indivíduos afectados por patologia mental são cidadãos de pleno direito. Não deverão ser excluídos do resto da sociedade. Devem, sim ser apoiados no sentido da sua plena integração na família, na escola, nos locais de trabalho e na comunidade.


    Sites a consultar: www.saudemental.pt
                                    www.portaldasaude.pt/portal
                                    www.acs.min-saude.pt
                                    www.adepressaodoi.pt


                                                                                 Telma Serrão
                                                                                                  Psicóloga Clínica
                                                               Coordenadora do Projecto EspecialMente






    sexta-feira, 23 de setembro de 2011

    A Psicomotricidade

    O que é a Psicomotricidade? 

    A psicomotricidade é uma terapia de mediação corporal que estuda e investiga as relações recíprocas e sistémicas entre o psiquismo (mente) e a motricidade (corpo). Baseando-se numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial.
     
    Ou seja, a psicomotricidade interfere no acto intencional significativo a fim de estimulá-lo e modificá-lo, usando como mediadores a actividade corporal e a expressão simbólica com o objectivo final de aumentar a capacidade de interacção do sujeito com o ambiente.

    “A Psicomotricidade é a vida psíquica expressa em comportamento. O conjunto de fenómenos que constituem o substrato da vida psíquica (impulsos, emoções, sentimentos, pensamentos) exprime-se através da motricidade (linguagem corporal e verbal).”

    João dos Santos 

    Intervenção a que nível?

    A psicomotricidade pode actuar ao nível preventivo, reeducativo e terapêutico. É uma intervenção com:



    Indicações terapêuticas:
    •  Tipos de personalidade ou de fases do desenvolvimento que podem evoluir melhor através do agir, da experimentação e do investimento corporal;
    •  Pessoas para quem é necessário reencontrar a possibilidade de comunicar e de organizar o pensamento, privilegiando a experiência ligada à interiorização da vivência corporal;
    •  Problemáticas com incidência corporal: dispraxia, desarmonias tónico-emocionais, instabilidade postural, perturbações do esquema corporal e da lateralidade, estruturação espacial e temporal, perturbações da imagem corporal, problemas psicossomáticos;
    •  Problemáticas com incidência relacional: dificuldades de comunicação e de contacto, inibição, instabilidade psicomotora, agressividade, etc.;
    •  Problemáticas com incidência cognitiva: no plano do processamento informacional: défices de atenção, de memória, de simbolização e de organização perceptiva.
    APP (Associação Portuguesa de Psicomotricidade)  
    como por exemplo ...
    Perturbações do Espectro Autista;
    Perturbação da Hiperactividade com Défice de Atenção;
    Dificuldades de Aprendizagem;
    Perturbação do Comportamento;
    Paralisia Cerebral;
    Síndrome de Down;
    Défices Sensoriais, ... 

    Como é organizada uma sessão de Psicomotricidade?

    Na generalidade uma sessão de psicomotricidade engloba as seguintes fases:
    1. Ritual de entrada na sessão, como por exemplo descalçar os sapatos;
    2. Conversa inicial (organização psicolinguística), onde são escolhidas e/ou apresentadas as actividades a realizar;
    3. Realização das actividades, seguindo-se as actividades escolhidas pelo terapeuta;
    4. Retorno à calma, normalmente através de exercícios de relaxação;
    5. Diálogo final, por vezes poderá ser realizado um desenho sobre a sessão;
    6. Ritual de saída.
    A metodologia da intervenção poderá ser em grupo ou individual, é escolhida consoante as necessidades dos indivíduos. Quando se opta por um método individual o objectivo será sempre a inserção num grupo.

    Que actividades são realizadas?

    Jogo simbólico (dramatizações, faz-de-conta, …), técnicas de relaxação (relaxação para crianças de Jéan Bergés, relaxação progressiva de Jacobson, relaxação Psicomotora, …), terapia e reeducação gnóso-práxica (promoção da estruturação temporal, organização e planificação de tarefas, …), actividades de educação gestual e postural (reeducação da equilibração e do controlo tónico, …), actividades de estimulação sensorial, actividades expressivas, actividades lúdicas, entre outras.


    Em psicomotricidade partimos sempre daquilo que o indivíduo já é capaz de fazer (possibilidades psicomotoras) a fim de criarmos um ambiente envolvente, acolhedor, cativante e de confiança, para que mais tarde o indivíduo nos mostre as suas dificuldades (dificuldades psicomotoras) e assim, conseguimos intervir, modificando-as, recorrendo sempre a um ambiente lúdico, simbólico e de grande expressividade motora.

    O instrumento de trabalho é o corpo em movimento, o do terapeuta e o do indivíduo, como meio de relação consigo próprio, com o outro e com o envolvimento.


    Rute Maria
    Psicomotricista